Pular para o conteúdo principal

Postagens

POEMA: As peras e análise

AS PERAS As peras, no prato, apodrecem. O relógio, sobre elas, mede a sua morte? Paremos o pêndulo. Deteríamos, assim, a morte das frutas? Oh as peras cansaram-se de suas formas e de sua doçura! As peras, concluídas, gastam-se no fulgor de estarem prontas para nada. O relógio não mede. Trabalha no vazio: sua voz desliza fora dos corpos. Tudo é o cansaço de si. As peras se consomem no seu doirado sossego. As flores, no canteiro diário, ardem, ardem, em vermelhos e azuis. Tudo desliza e está só. O dia comum, dia de todos, é a distância entre as coisas. Mas o dia do gato, o felino e sem palavras dia do gato que passa entre os móveis é passar. Não entre os móveis. Passar como eu passo: entre nada. O dia das peras é o seu apodrecimento. É tranquilo o dia das peras? Elas não gritam, como o galo. Gritar para quê? Se o canto é apenas um arco efêmero fora do coração? Era preciso que o canto não cessasse nunca. Não pelo canto (canto que os homens ouvem) Mas porq...

POEMA: Mar azul e Análise

MAR AZUL mar azul mar azul      marco azul mar azul      marco azul      barco azul mar azul      marco azul      barco azul      arco azul mar azul      marco azul      barco azul      arco azul      ar azul Ferreira Gullar ANÁLISE Linearidade, ondulação e sonoridade. Um poema menos tenso, menos subjetivo, projetado na linguagem lírica do mar, como um produto do universo. O poema “Mar Azul” modifica a ideia do concretismo excessivamente formal e subjetivo das palavras em seu aspecto semântico, através de um poema visual que procurava a objetividade da palavra em seu significado real, natural, lírico, romântico e melodioso. Lirismo e melodia que transmitem a vida, o passado e as lembranças do autor em sua cidade natal, São Luis do Maranhão.

BIOGRAFIA FERREIRA GULLAR

Poeta, dramaturgo, tradutor e crítico de artes plásticas, Ferreira Gullar, pseudônimo de José de Ribamar Ferreira, membro da Academia Brasileira de Letras desde 2014, indicado ao Prêmio Nobel de Literatura em 2002, ganhador do Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras em 2005, agraciado em 2010 com o Prêmio Luís de Camões, o mais importante prêmio literário da Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Ferreira Gullar faleceu aos 86 anos em 4 de dezembro de 2016. Seu último livro, lançado em 2016, foi “Autobiografia Poética e Outros Textos”. Seu primeiro livro, Um pouco acima do chão (1949), marcado por suas leituras de poemas clássicos e parnasianos durante a adolescência, levou o poeta Gullar a excluí-lo de sua bibliografia posteriormente. Em 1950 vence com o poema "O galo" um concurso promovido pelo Jornal de Letras, tendo o poeta Manuel Bandeira como um dos membros do Júri. Conheceu em 1951 o crítico de arte Mário Pedrosa e o escritor Osw...

BIOGRAFIA CECÍLIA MEIRELES

Cecília Benevides de Carvalho Meireles, foi uma grande poetisa nascida no Rio de Janeiro, em 07.11.1901, e posteriormente faleceu no mesmo local em 09.11.1964. Desde muito jovem a poetisa perdera os pais, então foi criada pela avó, Jacinta Garcia Benevides, Cecília amava muito sua avó, tanto que quando esta faleceu, Cecília lhe dedicou um poema belíssimo chamado “Elegia”, onde ela retrata todo o sofrimento de perda que estava sentindo. Desde jovem, Cecília era extremamente atraída pelos estudos, por aprender novas línguas e por escrever poesia, se formou e logo em seguida ingressou no magistério. Em 1919 lançou o livro “Espectros”, que deu início a carreira que futuramente ela consolidaria. Cecília se casa com um artista português chamado, Fernando Correia Dias, e com ele tem três filhas. Após a publicação de “Nunca mais e...”, seu marido passa a ilustrar seus livros. No começo de 1934 ela passa a dirigir um centro infantil e cria a primeira biblioteca infantil do rio de janeiro. ...

POEMA: Guitarra e análise

GUITARRA P UNHAL de prata já eras, punhal de prata! Nem foste tu que fizeste a minha mão insensata. Vi-te brilhar entre as pedras, punhal de prata! — No cabo, flores abertas, no gume, a medida exata, a exata, a medida certa, punhal de prata, para atravessar-me o peito com uma letra e uma data. A maior pena que eu tenho, punhal de prata, não é de me ver morrendo, mas de saber quem me mata. Cecilia Meireles Análise:  Neste poema ela descreve o passo a passo até o momento do suicídio. O punhal já era punhal; ela já estava pré-disposta a cometer o ato, portanto o punhal por ser punhal não a influenciara; a lamina possuía a medida certa para lhe atravessar o peito, e no fim a reflexão que o que lhe fazia sofrer mais não era o fato de estar morrendo e sim o fato de saber que fora ela mesma que acabara com a própria vida. 

POEMA: Epigrama N.o 4 e análise

EPIGRAMA N.o 4 O CHORO vem perto dos olhos para que a dor transborde e caia. O choro vem quase chorando como a onda que toca na praia. Descem dos céus ordens augustas e o mar chama a onda para o centro. O choro foge sem vestígios, mas levando náufragos dentro. Cecilia Meireles Análise: O papel do choro/ lágrima que limpa e acalma a alma. Ela vem devido alguma tempestade interna, algo que nos aflige, transborda nos olhos e leva embora nossa angústia. 

POEMA: Criança e análise

CRIANÇA C ABECINHA boa de menino triste, de menino triste que sofre sozinho, que sozinho sofre, — e resiste. Cabecinha boa de menino ausente, que de sofrer tanto se fez pensativo, e não sabe mais o que sente... Cabecinha boa de menino mudo que não teve nada, que não pediu nada, pelo medo de perder tudo. Cabecinha boa de menino santo que do alto se inclina sobre a água do mundo para mirar seu desencanto. Para ver passar numa onda lenta e fria a estrela perdida da felicidade que soube que não possuiria. Cecilia Meireles Análise:  Neste poema ela ressalta em vários momentos a personalidade do menino e todas as dificuldades que ele passa, e devido a todas estas dificuldades ele se torna reflexivo, começa a pensar sobre sua própria vida e conclui que jamais irá possuir felicidade.